segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Brasil - Bonde de Tração Animal e Elétrico

O Brasil foi o segundo país do mundo a adotar os bondes no transporte público, antes mesmo de países como Inglaterra, Alemanha e França.
Os primeiros bondes que chegaram ao país foram os puxados por burros. Primeiro no Rio de Janeiro, capital do Império, em 1859 e depois em São Paulo em 1872. 
A primeira concessão para implantar o serviço dos bondes sobre trilhos e os de tração animal no Rio de Janeiro foi dada em 1856 ao médico inglês Thomas Cochrane (1805-1873), sogro do escritor José de Alencar. O primeiro trajeto ligou o Rocio (hoje Praça Tiradentes) à Tijuca com carros puxados a cavalos.
Foto 01 de José Baptista Barreira Vianna. Bonde nas proximidades da Pedra do Arpoador, c. 1900. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS.
A primeira linha regular de bondes à tração animal foi inaugurada em 26 de março de 1859 pelo imperador Pedro II, ligando o centro da cidade ao Alto da Boa Vista. A cerimônia de bênçãos ocorreu na estação central da Rua do Conde. A Família Real seguiu com membros do governo e com a família de Cochrane para o Andaraí.
No outro carro seguiram diretores da companhia e alguns convidados. Foi servido um almoço a todos na chácara de F. A. Marques (Jornal do Commercio, 26 e 27 de março de 1859, segunda coluna). Havia dois veículos, importados da Inglaterra, que faziam as viagens pela manhã e pela tarde.
O Rio de Janeiro foi a primeira cidade da América do Sul a organizar um serviço de transportes coletivos sobre trilhos de ferro. Antes dos bondes elétricos, havia os bondes à tração animal e a vapor.
Foto 02 de Augusto Malta. Bonde elétrico, c. 1910. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS
Na cidade do Rio de Janeiro, em 8 de outubro de 1892, foi inaugurada a primeira linha de bonde elétrico da América do Sul, pela Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico. O bonde partiu, sob aplausos do povo, da curva do antigo Teatro Lírico e foi até a estação do Largo do Machado, conduzindo o então vice-presidente da República em exercício na presidência, marechal Floriano Peixoto (1839 – 1895) e convidados. 
Houve quem temesse viajar nesse primeiro veículo elétrico e a empresa mandou pintar no encosto dos bancos o aviso “A corrente elétrica nenhum perigo oferece aos srs. passageiros“. Os carros abertos eram a marca registrada dos nossos bondes, devido ao calor da cidade. Ficha Técnica:
  • Número de assentos: 20
  • Comprimento: 5,10 metros
  • Largura: 2,10 metros
  • Altura: 2,85 metros
  • Tração: dois animais de carga
Foto 03: Os bondes de tração animal na cidade de São Paulo.

Os bondes de São Paulo foram um dos principais símbolos do desenvolvimento urbano e social da capital paulista entre o final do século XIX e meados do século XX. Inicialmente puxados por animais e, a partir de 1900, movidos à eletricidade, os bondes conectaram bairros centrais e periféricos, impulsionando a expansão da cidade e facilitando o deslocamento de milhares de pessoas diariamente. 
O sistema atingiu seu auge nas décadas de 1920 e 1930, quando São Paulo chegou a ter 160 km de trilhos, tornando-se referência nacional em transporte coletivo sobre trilhos. A operação dos bondes foi marcada pela atuação da empresa Light até 1947, quando a Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) assumiu o controle de operação.

Sistemas de bondes elétricos que existiram em capitais e várias cidades de porte médio no Brasil. São Paulo, em 1900, tinha cerca de 100 km de trilhos e essa extensão dobrou em apenas 15 anos. Por volta de 1950, a cidade chegou a ter mais de 350 km de trilhos urbanos, com bondes abertos, fechados, alguns destinados a cargas e serviços. Com o surgimento do automóvel e do ônibus essas redes de transportes foram sendo abandonadas e extintas, e não foi somente no Brasil.

Mapa 01 - Mapa do sistema de bondes de São Paulo por volta de 1946.

© Direitos de autor. 2008: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 01/02/2026

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