Estrada de Ferro Mauá, oficialmente denominada Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, foi a primeira ferrovia a ser estabelecida no Brasil, a terceira da América do Sul.
A ferrovia foi construída para conectar o Porto de Mauá, na Baía de Guanabara, ao sopé da Serra da Estrela, na região de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. O objetivo principal era facilitar o transporte de cargas e passageiros do interior do estado para o Rio de Janeiro, especialmente para o transporte de café, um dos principais produtos de exportação do Brasil na época.
Mapa 01 - Planta da linha da Imperial Companhia de Navegação e Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis e dos planos inclinados em projeto na serra da Estrela.
A ferrovia foi construída para conectar o Porto de Mauá, na Baía de Guanabara, ao sopé da Serra da Estrela, na região de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. O objetivo principal era facilitar o transporte de cargas e passageiros do interior do estado para o Rio de Janeiro, especialmente para o transporte de café, um dos principais produtos de exportação do Brasil na época.
Mapa 01 - Planta da linha da Imperial Companhia de Navegação e Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis e dos planos inclinados em projeto na serra da Estrela.
A empresa realizou a primeira operação intermodal do país, articulando o transporte marítimo a partir da Praça XV com o transporte ferroviário até a região de Petrópolis. A ferrovia foi inaugurada em 1854, sendo idealizada pelo empresário e banqueiro Irineu Evangelista de Souza - Barão de Mauá.
Para levar a efeito o projeto, em 29 de Maio de 1852, na sede do Banco do Brasil no Rio de Janeiro, foi fundada a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis; com capital de 2 Mil Contos de Réis, divididos em 10 mil ações de Duzentos Mil Réis cada. O Barão subscreveu pessoalmente um terço das ações e foi nomeado Presidente da Companhia.
Foto 01 - Barco atracado no Porto Mauá, provavelmente na época da Estrada de Ferro Leopoldina. À direita, podemos ver um trem estacionado, e movimentação de passageiros.
A construção da ferrovia se iniciou em 29 de Agosto de 1852, com a presença do Imperador. Os trabalhos de construção foram conduzidos pelos Engenheiros ingleses William Bragge, Roberto Milligan (a quem coube a execução da Planta da Estrada) e Joseph Cliffe. Sob o comando de engenheiros ingleses, mais de 200 homens construíram a Estrada de Ferro Mauá na base da picareta, em dois anos a obra foi concluída.
Foto 02 - No porto da Estrela, o povo desembarcava das barcas e embarcava no trem que parava alguns metros na frente, em Guia de Pacobaíba, (Mauá na época), e seguia para a serra de Petrópolis.
Foto 02 - No porto da Estrela, o povo desembarcava das barcas e embarcava no trem que parava alguns metros na frente, em Guia de Pacobaíba, (Mauá na época), e seguia para a serra de Petrópolis.
Como detalhe, temos o material rodante utilizado no início da operação da E. F. Mauá estava a locomotiva a vapor “Baroneza”, tipo 2-2-2, fabricada em 1852 por William Fairbain & Sons, Manchester, Inglaterra, e balizada em homenagem a Dona Maria Joaquina Machado de Souza, esposa do Barão de Mauá. Hoje a Baroneza é uma das principais peças em exposição no Museu do Trem do Rio de Janeiro.
Foto 03 - A locomotiva número 7, com as iniciais da estrada de ferro Príncipe do Grão-Pará, subia a serra do Rio a Petrópolis utilizando um sistema de cremalheiras. Tratava-se de uma locomotiva com uma roda central dentada, fabricada nos Estados Unidos, provavelmente em 1889.
O trecho ferroviário seguia da Estação Guia de Pacobaíba (antiga Estação Mauá, a estação recebeu esse nome após ser arrendada pela Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará), no atual município de Magé, até Fragoso, e posteriormente à localidade de Inhomirim, também conhecida como Raiz da Serra. A extensão até Raiz da Serra (Vila Inhomirim) se deu em 1856, onde se iniciaria a subida por cremalheira para Petrópolis, e Areal, somente 30 anos mais tarde.
O trecho ferroviário seguia da Estação Guia de Pacobaíba (antiga Estação Mauá, a estação recebeu esse nome após ser arrendada pela Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará), no atual município de Magé, até Fragoso, e posteriormente à localidade de Inhomirim, também conhecida como Raiz da Serra. A extensão até Raiz da Serra (Vila Inhomirim) se deu em 1856, onde se iniciaria a subida por cremalheira para Petrópolis, e Areal, somente 30 anos mais tarde.
Foto 04 - Título da Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis .
O plano de construir uma ferrovia que subisse a serra rumo a Petrópolis foi interrompido por problemas econômicos e principalmente por causa das limitações tecnológicas da época. Só foi possível chegar a Petrópolis de trem trinta anos após a inauguração da primeira parte da Estrada De Ferro Mauá.
Entre 1885 e 1868 , a estrada de ferro permitiu o transporte de 658.545 passageiros, 3.676.527 arrobas de produtos agrícolas incluindo café e cana de açúcar. Porém, com a construção da Estrada De Ferro D. Pedro II em 1858, a Estrada De Ferro Mauá passou a ter muitos prejuízos sem qualquer garantia de retorno financeiro.
O governo imperial garantiu a concessão para a construção de um ramal entre a Vila de Inhomirim até São José do Vale do Rio Preto, a empresa encarregada pela obra foi a Estrada De Ferro Príncipe Do Grão Pará.
Em maio de 1886, foi inaugurado o trecho que fazia o trajeto de Petrópolis até Areal ao longo de 41 quilômetros de linha férrea.
Em novembro do mesmo ano, outro trecho foi aberto ao público, era possível sair do Centro de Petrópolis e chegar a São José do Vale do Rio Preto num percurso de 66 quilômetros, fazendo paradas nas estações de Cascatinha, Correias, Nogueira, Itaipava e Pedro do Rio.
Para se chegar a São José do Vale do Rio Preto de trem, foram construídos túneis e pontes a fim de estruturar toda a ferrovia.
Foto 05 - Estação da Estrada de Ferro de Petrópolis .
Havia uma pequena ponte que dava acesso a um túnel bem estreito, ainda hoje e utilizado por quem sai do Centro, em Petrópolis, e quer se dirigir aos distritos da cidade, como Cascatinha e Itaipava.
São José do Vale do Rio Preto era um lugar muito agradável e com o prolongamento da estrada de ferro até esta região, D. Pedro II e sua comitiva passaram a frequentar a Fazenda de Águas Claras, de propriedade de Guilherme Souza Leite, o barão de Águas Claras, importante cafeicultor e amigo do imperador.
Em 17 de novembro de 1888, a Estrada De Ferro Príncipe Do Grão Pará foi comprada pela The Rio De Janeiro Railway Company, empresa que trouxe melhoramentos para o serviço marítimo o qual atendia aos passageiros no início do trajeto da viagem para Petrópolis. No início do ano de 1889, foi introduzido nas barcas um restaurante elegante e reservado.
Nessa época, para manter à conveniência da maioria dos passageiros de Petrópolis, principalmente daqueles que viajavam diariamente, a barca saía às 4 horas da tarde, exceto domingos, quando a barca partia pela manhã, às 7 horas.
Mas novamente, em 1898, a estrada mudou de dono: desta vez foi adquirida pela Leopoldina Railway Company que veio a transformar radicalmente todos os serviços, porém, a Linha Grão Pará que fazia o trajeto Rio - Petrópolis foi mantida, vindo a funcionar por muitos anos.
© Direitos de autor. 2008: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 01/02/2026





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